terça-feira, 22 de setembro de 2009

- Nirvana -

Óleo sobre tela – 30 x 50 cm - 2003
Para encerrar esta "série" acidental de pinturas que surgiram a partir de sonhos e afins, hoje publico esta pintura que veio a partir de uma situação curiosíssima e para mim, uma das mais impressionantes. Cada artista tem a sua própria forma de compor a pintura, algumas vezes bem excêntricas. Tem artista que tira sua inspiração de poesias, de livros, filmes, músicas, situações corriqueiras, características da atualidade, enfim, se existe uma regra pra isso é a de que não há regra nenhuma. No meu caso, não existe um padrão... a inspiração pode vir das fontes mais inesperadas possíveis, como quem acompanha meu trabalho por aqui já deve ter notado.


Esboço da pintura

A história dessa pintura até hoje me faz pensar. Em 1999, passei um ano morando num apartamento que eu dividia com um primo meu no bairro do Tatuapé, em São Paulo. Como o meu convívio em SP sempre teve, direta ou indiretamente, alguma ligação com arte, acho que isso acabou influenciando um pouco e ele decidiu que começaria a se aventurar na pintura em tela também, inclusive alcançando bons resultados, ainda que apenas como hobbie. Num dia, já tarde da noite, ao chegar em casa vindo do trabalho, abri a porta e dei de cara com ele na sala de estar, pintando uma tela, sobre a mesa de centro. Como paleta, ele usou um estojo de lata para lápis. Quando olhei para a tal lata, vi uma imagem fantástica, de anjos voando entre nuvens num céu azul, sobre as montanhas e em seguida comentei do quão legal era aquela imagem. Pra minha surpresa, ele me perguntou do que eu estava falando, que não via desenho nenhum. Mostrei a lata e ele continuava sem ver... quando me aproximei, o tal desenho na verdade não passava de manchas, bolos de tinta fresca colocadas ao acaso. Mas à distância, pra mim a imagem ficava muito clara. Corri pra pegar um papel, fiz um esboço do que eu tinha visto e guardei para depois fazê-la numa tela, assim que surgisse a oportunidade.

A tela só foi pintada alguns anos depois. A preocupação inicial foi em passar a inocência, a leveza dos personagens e a paisagem de fundo, que fiz de uma forma para parecer quase como um cenário mítico. Um dos anjos aparece como um vulto de criança, outros flutuam pelo ar como se estivessem brincando. Analisando melhor a obra hoje, acredito que tenha faltado mais detalhes, talvez ficasse mais interessante se eu tivesse feito o mesmo desenho com borrões, talvez ficasse melhor se a pintura fosse maior também, mas enfim, o resultado final ficou muito bom e saiu de acordo como foi a tal "visão".

Hoje, esta tela faz parte da extensa coleção pessoal de um grande amigo meu daqui de Macaúbas, Prof. Ático Vilas Boas da Mota, pesquisador, historiador, escritor, folclorista, tradutor e linguista brasileiro, entre outros tantos títulos desta grande figura.


Licença Creative Commons
Nirvana de Eduardo Cambuí Junior é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Vedada a criação de obras derivativas 3.0 Unported.

7 comentários:

  1. Olá Edu, cada vez q venho aqui me surpreendo: há sempre uma estória interessante por trás da tela. Aliás, tô começando a pensar que a estória
    é a própria tela! Não sei qual prefiro, se o escritor ou o pintor.Mas se somos muitos, somos múltiplos!
    P.S.: acho q conseguí descobrir o q estava acontecendo c/o "cirandeira" - existe outro blog que também é "giramundo" (-pernalonga").O Google fez um rolo...mas acho q agora tá tudo ok

    Bjão

    ResponderExcluir
  2. Telas surpreendentes!É um gosto bom passar por cá. Curiosamente, a minha publicação, na qual mostro um pouco do Salo de Pasolini, não tem nem um comentário... Estranho. Os "brandos costumes portugueses"?... Em Portugal estamos em feroz campanha eleitoral. Dê lá um salto ao poemar-te. Tudo de bom.

    ResponderExcluir
  3. Grande amigo Malcriado, dos bons tempos do café virtual do Carmello.
    Gostei da história de como a coisa toda veio parar na tela, acho que porque nas minhas pinturas é isso que ocorre, elas vão se constituindo de manchas pois a paleta é a propria tela, até que em algum momento dependendo de meu estado de espírito, começo a ver coisas, e é a partir dai, que vão se constituindo as imagens.
    E no caso de Miríades, não foi diferente. Trata-se de uma pintura digital com características de tinta em tela, que nos dois casos, em tela ou digital, a realidade está na visão.

    abraços.

    ResponderExcluir
  4. Boa tarde, estimado Artista e Amigo Edu!
    Primeiro, um "pito" inevitável. Quando o Sr. for ao SÉTIMA ARTE, por favor leia a resenha, que não é fácil fazer, depois opine. "Dança com Vampiros" é um PARÓDIA de filmes de vampiros, uma sátira, etc.Pena que não o tenha visto, pois perdeu belas atuações e um esplêndido filme, que marcou sobretudo pelo barbarismo que o seguiu. Quanto ao filme que vc citou, eu acabo de dá-lo a um menino que veio à minha casa consertar o meu PC que havia ido para o espaço. Pronto. Agora, vamos ao que venho, já devia ter vindo há muito, mas por motivos alheios à minha vontade, me foi impossível. Torno-me repetitiva ao dizer que a gênese da sua obra, para mim, se vai construindo à medida em que você executa a obra, ou seja, gênese e obra se confundem, sendo a gênese e a obra A Obra. Por sinal, belíssima, e, como sempre ao meu gosto, nascida de um sonho, com imagens fantásticas que muito aprecio. E o fato de pertencer a tão ilustre figura na terra em que o Artista habita o cobre de mérito, além do que já lhe é merecido.
    Beijos e um lindo fim de semana,

    ResponderExcluir
  5. Bom Dia, Edu!
    Tenho quase certeza de que dormiu bem!
    Quanto a mim, dormi maravilhosamente bem. Fui deitar-me às 4: 30 e agora são 7: 22 aqui.
    Meu amigo, deixo-lhe meu beijo, sono, desejo, cabelo ensolorado, sonho risonho, céu estrelado e, enfim, o meu sorriso perolado, para que o seu domingo seja muito inspirado.
    Renata
    PS: HAI CAI MESMO, de minha autoria na Vivi in-Foco, MEU JARDIM DE HAICAIS II no EU E DAÍ e O CÉU DESPENCA E AS CORES DA TEMPESTADE - VARIAÇÕES, por Renata Cordeiro, Marta Vinhais, Vicente de Carvalho (Sâo Vicente, Brasil) e Camilo Pessanha, no POESIA EM LÍNGUA PORTUGUESA. Além de ROMEU E JULIETA em 3 versões no SÉTIMA ARTE, com soneto do Bardo, e poemas sobre SONHOS no EU E DAÍ?Ah, ELVIRA MADIGAN, no SÉTIMA. Vá prestigiar algum, amigo, tenho saudades.

    ResponderExcluir
  6. Oi Edu, passei pra ver se tinha novidades...
    Boa semana pra ti
    Bjão

    ResponderExcluir
  7. Put's
    Lembro quando vc estava fazendo essa tela.
    Os "Cambuí's" iam farreiar no quintal na casa de Junior. Eu estava assistindo Júnior terminando essa tela. Me lembro como hoje.
    Era muleque ainda.. pequeninho, tinha uns 8 anos na época. hehehee.

    ResponderExcluir

Seu comentário será sempre bem-vindo. Assim que for possível, eu retorno!