terça-feira, 16 de agosto de 2011

- O princípio -

Óleo sobre tela – 30x40 cm - 2003
Para ampliar, clique na imagem

Na época deste trabalho, eu ainda não tinha encontrado uma linha de pintura que eu pudesse seguir, adotando como uma marca pessoal. Por isso mesmo eu partia pra experimentação (e até hoje ainda faço isso), visitando diversos estilos, temas e indiretamente, através do velho método da tentativa e erro, amadurecendo meu próprio estilo e educando o senso de observação (habilidade essencial para qualquer artista, independente da área). Naturalmente, uma parte considerável dos resultados foram ruins, mas com certeza foram muito importantes, pois ajudaram imensamente nesse processo de aprendizagem.


A idéia de fazer uma pintura sobre a gestação de uma criança já vinha de longa data, mas não poderia ser algo comum. E pra isso, nada melhor que a pesquisa. Foram muitos livros, muitas imagens e aí, veio uma idéia de como fazer... partir do princípio lógico da coisa. A gestação é o princípio de tudo e nesta fase, a fragilidade é uma característica marcante, algo que a pintura não poderia deixar de abordar. A forma que encontrei de mostrar isto foi através de cores vibrantes, como se houvesse uma luz forte de fundo, dentro da barriga da mãe, fazendo com que o corpo do feto (em determinados pontos) fosse quase translúcido.

A pintura, não importa qual seja, sempre fala alguma coisa... mas fala de uma forma subjetiva, o que algumas vezes acaba atrapalhando o objetivo final imaginado pelo artista. Pré-estabelecer uma linha guia de entendimento do seu trabalho acaba, portanto, não sendo uma coisa muito boa, pois se até na escrita, com o autor dizendo textualmente o que pretende, ainda há erros de interpretação, imagine então esperar que o público entenda a obra da forma que você espera, sem palavras! O mais sábio é deixar para que cada um entenda a obra da sua própria forma.

No fim das contas, não sei se a obra foi feliz em expressar essa fragilidade, que talvez tenha ficado muito simples e subjetiva. É difícil falar sobre o resultado depois de tanto tempo passado, pois as idéias mudaram e consequentemente, muita coisa também seria mudada se a pintura fosse realizada hoje, mas, enfim, o resultado foi bom para aquela época.


Licença Creative Commons
O Príncipio de Eduardo Cambuí Junior é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Vedada a criação de obras derivativas 3.0 Unported.

3 comentários:

  1. Não seja tão modesto, Edu. Seus trabalhos - e já te acompanho há um tempão - são verdadeiras obras de arte, apreciadas pelo mundo afora.
    A pintura acima parece-me meio expressionista. Um feto? Um ET? Viajei...[risos]
    Amigo, um lindo final de semana!!!Bjsss

    ResponderExcluir
  2. Estamos sempre re-começando, não é, Edu? E se este foi o teu pricípio começaste muito bem! Um pricípio do pricípio de todos nós :) PARABÉN!
    E por falar em recomeço, voltaste novamente, não é seu danado! De vez em quando gostas de "desaparecer". Pois que sejas muito bem-vindo!!!

    beijoss

    ResponderExcluir
  3. Respondendo:

    Vanuza: Pois é... o negócio é que a minha autocrítica é beeem chata! "Melhorar sempre" é o lema. Sobre a pintura, é um feto, que como você bem observou, dá um pouco a impressão de um ET, afinal, o que é um feto senão um alienígena dentro do corpo da mãe? rs
    Bjão!

    Cirandeira: Então, minha cara... realmente um recomeço partindo do começo básico. E assim é a vida! Cheia de recomeços!! Às vezes eu sumo mesmo, mas acabo sempre voltando! BJão!

    ResponderExcluir

Seu comentário será sempre bem-vindo. Assim que for possível, eu retorno!