terça-feira, 23 de abril de 2013

- Entardecer no sertão -

Óleo sobre tela - 50 x 60 - 2013

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Há determinadas imagens que, numa rápida observação, nos leva a conclusão (falsa, diga-se de passagem) de que se trata de um motivo fácil e rápido para uma pintura... mas essa impressão só dura até colocarmos a mão na massa e descobrirmos que não era tão simples assim de se fazer. E é justamente o caso desta pintura de hoje. Apesar de não ser uma tela realmente complicada, é uma pintura bem trabalhosa por conta dos muitos detalhes dos galhos. Novamente a fotografia entra neste processo como um grande auxiliador, já que fazer esta pintura in loco (dentro do estilo de pintura escolhido) seria algo muito complicado por retratar um período muito curto do dia (o crepúsculo).

Enfim... escolhi utilizar a tinta a óleo por conta do melhor desempenho na mistura das cores, principalmente levando em conta o degradê do céu, que tem mais cores do que parece ter. É interessante o fato de uma imagem simples ter um apelo estético tão bom quanto esta que foi escolhida. A foto que serviu como referência foi tirada numa das minhas voltas pelos arredores de Macaúbas. Acho que já comentei aqui sobre a curiosa característica da vegetação local que, no período de auge da seca parece morta e estéril, aspecto que muda rapidamente nas primeiras chuvas. Em pouco mais de duas semanas já começam a aparecer os primeiros brotos e as plantas que pareciam mortas, mostram que ainda estavam vivas.

Quanto à pintura, a estrutura da árvore acabou saindo maior do que eu estava planejando, mas o resultado final foi bom. Pintar os galhos, ainda que relativamente simples, é uma canseira danada por conta da grande quantidade. Depois de pronto, gostei bastante do resultado e achei que a pintura conseguiu transmitir uma boa sensação de tranquilidade.

Nos últimos meses tenho pintado muito sobre temas locais, ainda que buscando um viés universal, que pode ser entendido de forma parecida independente do local de origem de quem observa. Talvez este seja o grande objetivo que procuro atingir com a minha pintura. As vezes, pintar uma paisagem não é apenas retratar um lugar específico (que pode até mesmo não condizer com a realidade), mas tentar transmitir algo com ela, não importa se o observador tenha alguma relação com o lugar ou não.

Outro ponto importante na questão artística é reconhecer qual o seu valor. Nem sempre é fácil dizer quando uma pintura tem um apelo comercial ou artístico. Pintar visando apenas o dinheiro não é uma coisa muito legal e acaba não gerando bons frutos, por mais que tenha algum retorno financeiro. Por sua vez, um trabalho conceitual é interessante pelo lance da ideia, que é muito valiosa (independente das cifras que podem surgir como consequência) e pode ser extremamente fértil gerando outras boas ideias. Muitas vezes uma pintura que tem um forte apelo estético também carrega uma mensagem interessante. Não é bem o caso desta em questão, que eu considero ter muito mais o apelo estético, mas quando as duas coisas coexistem na pintura é muito legal.


Licença Creative Commons
Entardecer no Sertão de Eduardo Cambuí Junior é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

4 comentários:

  1. puxa, eduardo...
    eu achei fantástica a tela... e tens razão quanto ao trabalho que deu mas...
    o resultado foi ótimo... bem do meu agrado...
    parabéns, meu amigo e...
    beijos em teu artístico (e malcriado coração)...hurcsit 106

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    Respostas
    1. Valeu, Beto! O resultado acaba compensando o trabalho que a gente vai tendo... vale a pena! rs

      FaloU!

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