terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

- Lago Baikal -

Acrílico sobre tela - 150 x 90 cm - 2013
Clique na imagem para ampliá-la
Nos últimos posts, eu tenho comentado diversas vezes sobre a intenção em mudar o estilo da minha pintura para algo menos detalhado, mais rápido e expressivo. Até que surgiu a encomenda (domiciliar) desta pintura de hoje que acabou servindo como um pequeno exercício para esta mudança, que ainda está ocorrendo. Mudar o próprio estilo de pintura tão significativamente não é algo muito simples... tem sido algo que eu venho buscando aos poucos, algo que precisa mesmo ser gradual para que este novo estilo seja muito bem fundamentado, sem deixar de lado alguns traços característicos da minha própria pintura.

Foto do Lago Baikal, na Sibéria
A pintura deste post retrata o Lago Baikal, na longínqua e gelada Sibéria (Rússia), conhecido como o lago mais profundo e o mais antigo do mundo e foi feita a partir de uma foto publicada no livro "Atlas do Extraordinário - Prodígios da Natureza, vol. 1" (Ediciones del Prado), o mesmo livro que também já me serviu como fonte de referência para uma outra encomenda que tive, a "Caravana de Camelos", já publicada aqui. Pintar cenas de lugares que eu não conheço não é algo que eu goste porque a pintura acaba não sendo a mesma coisa. O fato de conhecer o lugar que estamos pintando, mesmo que de forma superficial, faz com que possamos desenvolver e interpretar melhor alguns detalhes da cena, sem contar o caráter quase documental que a pintura adquire (dependendo do caso, obviamente). Como no caso desta pintura e da "Caravana de Camelos" se tratarem de encomendas, não tive muito como fugir disto.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

- Dan -

Giz Pastel - 20 x 30 cm - 2011
Clique na imagem para ampliá-la

Há alguns anos, por volta de 2005, eu deixei um pouco a pintura em tela de lado e parti para a utilização do giz de cera, o que gerou uma série de desenhos, muitos deles já publicados aqui, o que foi uma excelente fonte de aprendizado para a mescla das cores na pintura. A evolução natural desta experiência foi passar em seguida para o giz pastel, produzindo desenhos com cores mais vibrantes e mais texturas. Esta fase foi muito importante para o crescimento do meu desempenho dentro da pintura. O desenho de hoje é um retrato da minha esposa feito quando ainda estávamos namorando e foi um dos últimos feitos em giz pastel, quando eu já estava bem familiarizado com as características do material.

Cézanne - Retrato de Louis Auguste
Cézanne (pai do artista)
Muitos dos grandes mestres da pintura (como o grande Cézanne, por exemplo) fizeram diversos retratos das pessoas do seu convívio e de uma certa forma, retratá-las mostrava a importância que elas tinham na sua vida. Sempre achei que isto era uma coisa muito bonita, mas que não sei bem porque, nunca me apeguei tanto a esta prática, ainda que a minha vontade fosse fazer muito mais retratos do que já fiz até então. Na nossa vida tem pessoas que surgem e, mesmo que tenhamos pouco tempo de contato com elas, ainda assim se mostram muito importantes para a formação do nosso próprio "eu", que vive nesta eterna roda viva de agregar conhecimentos, corrigir falhas e outras tantas coisas que fazem parte deste processo. Como já dizia Milton Nascimento na sua música "Encontros e despedidas", a nossa vida é como uma estação cheia de chegadas e partidas. Pensando dessa forma, acho que eu deveria mesmo ter feito mais retratos, como dos meus parentes e amigos. Voltando ao tema do desenho, um retrato da minha esposa era obviamente mais do que merecido já que ela é uma figura muito importante na minha vida, que me deu um filho maravilhoso e, apesar termos bastante diferenças (é como se ela fosse água e eu fogo), conseguimos nos entender bem no final das contas, acredito que justamente por isso, e assim vamos nos completando e crescendo como pessoa.