segunda-feira, 9 de março de 2015

- Indicação de Livro - Desconstruir Duchamp -

Depois de algum tempo de paradeira por aqui, vamos voltando com uma seção que, como já tinha dito na primeira publicação do gênero, é algo que pretendo fazer mais vezes no Arte por Parte, que são as indicações. Funciona até para alternar entre os trabalhos que são publicados e fugir um pouco do foco do meu trabalho, além de julgar que este tipo de publicações sempre ajuda alguém, seja artista, aprendiz, formando, etc. O indicado de hoje será:

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Livro: Desconstruir Duchamp - A arte na hora da revisão
Editora: Vieira & Lent
Autor: Affonso Romano de Sant'anna
N° de Páginas: 204
Ano: 2003
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Sinopse: Diferentemente das obras que apresentam a história da arte moderna, os textos do escritor e crítico Affonso Romano de Sant'Anna olham a arte dos últimos 150 anos não com o olhar saudoso e complacente, mas como um esforço para afastar o entulho e descortinar outros caminhos.

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Uma vez, publiquei aqui no Arte por Parte (no post "Pensando Alto") sobre a loucura que virou a arte atual, onde o argumento parece valer mais do que a obra. Neste post citei o trabalho de artistas como Piero Manzoni, Win Delvoye (especificamente sobre a obra "Cloaca Machine") e Martin Kippenberger (pela obra "Quando começa a gotejar do teto") como exemplo de obras que foram vendidas por fábulas de dinheiro, mas que são, no mínimo, questionáveis. Visitar estas exposições é, tomando emprestado as palavras do próprio Affonso Romano, como ver um gato preto num quarto escuro que na verdade nem está lá. E a culpa é de quem? O suspeito principal, responsável por nos conduzir a este beco sem saída em que a arte se meteu se chama Marcel Duchamp, como o autor  do livro indicado sugere.


E é exatamente sobre esta loucura que o livro trata. Na verdade, o livro é uma compilação de crônicas publicadas pelo escritor Affonso Romano de Sant'Anna sobre os disparates que surgem mundo afora expostos ao público em museus e galerias, num esforço para tentar separar os enganadores dos verdadeiros artistas. E exemplos das bizarrices que acontecem sob o rótulo da arte não faltam... só para ter uma ideia de como andam as coisas, vou citar apenas dois fatos recentes, que não estão presentes no livro:

O ator norte-americano James Franco, famoso mundialmente por filmes como "127 horas", "Homem Aranha", "Oz - Mágico e Poderoso" e mais recentemente do polêmico "A Entrevista" (que causou uma enorme tensão entre Estados Unidos e Coréia do Norte), leva também uma carreira alternativa no mundo da arte. Em parceria com a dupla de artistas chamada Praxis, ele criou o MONA - Museum of Non-Visible Art (Museu de arte invisível), onde o propósito é expor telas em branco onde a descrição da obra é o que vai fazer o espectador imaginar o que está alí. Por mais que apenas isto se pareça maluco o suficiente, teve uma pessoa pagou US$10.000 pela obra chamada "Ar fresco". Em outras palavras, ela pagou (caro) por uma imagem que ela própria imaginou.
"Tree of Life", Escultura de Monica Jacobs exposta no MONA

Clayton Pettet, estudante de arte com uma proposta polêmica
Outro caso pra lá de inusitado aconteceu no fim de 2013. O estudante de arte Clayton Pettet, da faculdade londrina Saint Martins Art School, apresentou o projeto "Art School Stole My Virginity" (escola de arte roubou minha virgindade), aprovado pela universidade. Neste projeto, que foi marcado para acontecer numa galeria de Londres no dia 25 de janeiro de 2014, a proposta do estudante seria de uma apresentação artística performática junto com um amigo seu para um público de 100 pessoas onde ele perderia sua virgindade anal numa apresentação única. Se aconteceu mesmo, eu não sei dizer, mas o mais assustador é que este projeto foi aprovado pela universidade. Será mesmo que algum dos dois casos realmente podem ser rotulados como arte?

Neste livro, Affonso Romano traz outros casos em que fica claro que há muitos artistas que vivem sob tal status apenas por fazer crer que aquilo que fizeram é arte. É um livro bem divertido e que, ao mesmo tempo, nos leva a refletir sobre o assunto. De uns tempos pra cá tem sido meio difícil encontrar este livro nas prateleiras das livrarias, mas com certeza vale a pena procurar por ele!


Imagens: Google

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