segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

- Dan -

Giz Pastel - 20 x 30 cm - 2011
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Há alguns anos, por volta de 2005, eu deixei um pouco a pintura em tela de lado e parti para a utilização do giz de cera, o que gerou uma série de desenhos, muitos deles já publicados aqui, o que foi uma excelente fonte de aprendizado para a mescla das cores na pintura. A evolução natural desta experiência foi passar em seguida para o giz pastel, produzindo desenhos com cores mais vibrantes e mais texturas. Esta fase foi muito importante para o crescimento do meu desempenho dentro da pintura. O desenho de hoje é um retrato da minha esposa feito quando ainda estávamos namorando e foi um dos últimos feitos em giz pastel, quando eu já estava bem familiarizado com as características do material.

Cézanne - Retrato de Louis Auguste
Cézanne (pai do artista)
Muitos dos grandes mestres da pintura (como o grande Cézanne, por exemplo) fizeram diversos retratos das pessoas do seu convívio e de uma certa forma, retratá-las mostrava a importância que elas tinham na sua vida. Sempre achei que isto era uma coisa muito bonita, mas que não sei bem porque, nunca me apeguei tanto a esta prática, ainda que a minha vontade fosse fazer muito mais retratos do que já fiz até então. Na nossa vida tem pessoas que surgem e, mesmo que tenhamos pouco tempo de contato com elas, ainda assim se mostram muito importantes para a formação do nosso próprio "eu", que vive nesta eterna roda viva de agregar conhecimentos, corrigir falhas e outras tantas coisas que fazem parte deste processo. Como já dizia Milton Nascimento na sua música "Encontros e despedidas", a nossa vida é como uma estação cheia de chegadas e partidas. Pensando dessa forma, acho que eu deveria mesmo ter feito mais retratos, como dos meus parentes e amigos. Voltando ao tema do desenho, um retrato da minha esposa era obviamente mais do que merecido já que ela é uma figura muito importante na minha vida, que me deu um filho maravilhoso e, apesar termos bastante diferenças (é como se ela fosse água e eu fogo), conseguimos nos entender bem no final das contas, acredito que justamente por isso, e assim vamos nos completando e crescendo como pessoa.

Fazer retratos não é um trabalho simples. Capturar "o espírito" do retratado talvez seja o ponto mais importante num trabalho destes e nem sempre a coisa funciona, para a frustração do artista e do retratado, que cria expectativas fotográficas do seu desenho. No caso específico deste, ficou bastante parecido e para quem a conhece, muito fácil de reconhecê-la (a prova crucial de um trabalho bem sucedido). Alguns pequenos detalhes ficaram estranhos, mas que não comprometem no resultado final. O mais interessante neste retrato (e em todos os outros que faço) é que inconscientemente eu acabo colocando os modelos com os olhos um pouco maiores do que naturalmente são, uma característica do meu estilo próprio que é difícil de fugir, por mais que eu tente.

Com relação as cores, a escolha do amarelo do fundo foi muito feliz porque ajudou a destacar o retrato. As cores usadas no rosto ficaram bem distribuídas, talvez faltando um pouco mais de verdes e azuis e carregar mais nas sombras, mas no geral, o resultado foi muito bom. Muitos retratos que eu já fiz eu não tive como registrar em fotos (a maioria feitos sob encomenda) e isto é algo que eu me arrependo bastante pela clara importância da memória da própria obra. Talvez em breve eu volte a fazer retratos em giz pastel, quem sabe num tamanho maior e com uma composição mais rica em detalhes... até lá, vou amadurecendo a ideia.



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2 comentários:

  1. Linda a sua esposa, Edu, e linda a maneira como a retratou. Gostei muito do post, muito elucidativo. Quanto ao retrato seu que eu tenho, estou com olhos enormes, muito parecidos com os que estão pregados no meu rosto. Acertou em cheio.
    Abraços e continue,
    Renata Cordeiro

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    1. Olá, Renata! Quanto tempo, hein! Pois é... ela adorou o retrato também! Que bom saber que eu acertei no seu retrato também (nem sempre dá certo).
      FaloU!

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