quinta-feira, 14 de agosto de 2008

- Perfil de Mulher -

Perfil de Mulher - Óleo sobre tela (60 x 60 cm) - 2005
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Esta talvez seja a melhor pintura que eu já fiz de rostos até agora. Infelizmente a tela não é do tamanho que eu pretendia que fosse (a idéia era ser mais ou menos o dobro deste tamanho), mas nem posso reclamar porque o resultado foi muito bom, superando minhas expectativas. Pintar pessoas é uma tarefa muito difícil porque o artista precisa ter olhos atentos o bastante para saber captar um pouco da complexidade dos jeitos e das expressões.

Na pintura ainda tem o detalhe da cor da pele que dificulta muito o trabalho, afinal, a pele das pessoas, por melhor que seja ela, nunca é de uma cor só e ainda sofre a influência da luz, da cor do ambiente que é levemente refletida, etc, o que na verdade acontece com tudo, desde seres a objetos. Como não tomei cursos de pintura, tive que me virar sozinho pra conseguir acertar essa fórmula ideal para a coloração da pele por um tempinho, entre muitos erros e acertos. Geralmente os erros aconteciam porque no fim de outras pinturas, era possível observar que a pele ficava pálida demais, o que não me satisfazia nem um pouco. O contraste, que eu utilizo bastante, acabava se tornando um agravante para a pele, mas, mais ou menos a partir desta pintura, esse problema foi deixado pra trás.

O personagem da tela na verdade não existe. Como eu trabalho utilizando muito a referência fotográfica, mas fazendo o possível para evitar uma cópia, utilizei alguns modelos de propagandas de revistas, tive que explorar a boa vontade de uma amiga para servir de modelo para algumas partes (como o cabelo, por exemplo... valeu Naiara!) e propositalmente, "cortar" o rosto da personagem, como se fosse uma foto mal enquadrada. A idéia desse artifício é mais ou menos simbolizar que existe uma vida para além daquele enquadramento, o que até cria um certo charme quando a utilizamos adequadamente.

Outro pequeno detalhe foi o brinco de pérolas. Esta seria mais ou menos como a minha versão pessoal para a tela "Garota com Brinco de Pérolas" do pintor holandês Jan Vermeer (que inclusive, tem um filme muito bom sobre esse período do artista), que era muito respeitado na sua época, mas curiosamente depois de sua morte, caiu no esquecimento e foram precisos quase 200 anos para que seu nome fosse resgatado como um dos grandes mestres da pintura. Portanto, esta é a minha singela homenagem e também, a minha versão moderna da tela de Vermeer.

PS: Este post é dedicado para os meus amigos virtuais que tem visitado o "Arte por Parte" e dado sua valiosa contribuição. Então, fica aqui um beijo virtual pra Renata, Vanuza, Cris, Martha e cia.

Licença Creative Commons
Perfil de Mulher de Eduardo Cambuí Junior é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Vedada a criação de obras derivativas 3.0 Unported.

6 comentários:

  1. Obrigada, Meu amigo, mas não precisava, viu? Vc tem brilho próprio.
    Mil beijos,
    Renata

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  2. Olá Eduardo,
    Adorei teu retrato no óleo, as cores na qual vc atribui aos tons da pele ficaram fantásticos, principalmente na região dos olhos. Os contrastes e os detalhes, como o brinco, estão fabulosos, de uma beleza rara.
    Parabéns, tua arte é muito expressiva,ficou muito bem a expressão do olhar, com o jogo de luz então, completou a obra.
    Beijossss carinhosos,
    Cris

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  3. Menino, diga o seu nome!Rssss...Você (e eu) gosta do Vermeer (me roubaram um livro dele, estou inconsolável) que é um ícone da Arte holandesa e mundial, tem até um filme sobre esse quadro. Mas, gostei imensamente dessa pintura e gosto mais ainda desses recortes, tanto assim que, quando fizer o próximo post amanhã à tarde, vou adicioná-lo à nossa galeria permanente...Compareça, hein?Rssss...Beijinhossss virtuais e não precisa me agradecer (talvez, quem sabe, no futuro, fazer uma mulher linda e charmosa e dizer que sou eu...Nada de muito realismo, viu? Mas, isso depois)

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  4. Tive o prazer de saber da abertura deste espaço seu, e espero poder partilhar consigo sobre o que podemos ter em comum , ou não, afinal isso não é o essencial. Gosto do óleo nem que seja só pela consistência, o cheiro, não sei, uma quantidade de factores que fazem que nunca pensei que pudesse “criar” algo com outra matéria. Aprecio a o traço e a limpidez de como utilizou as tonalidades. Repare não sou critico, muito menos apreciador, apenas observo e introvertendo o que se desprende da obra. Desconsidero que tudo o que se possa dizer sobre o momento em que um traço foi feito possa ser representado noutro tempo ou em qualquer outro espaço. Impressionou-me a forma como pintou o musculo reto interno e a forma sem maculas de como construí o que o rodeava, por acaso, não fixei o reflexo na córnea mas sim essa massa algo discreta mas expressa de forma recta. Tal como a certeza do traço.
    Para os sombreados, costumo utilizar imenso os azuis, mas tem sempre o contra , ou tenho que os deixar secar para depois colocar os amarelos de Nápoles, vermelhos ou uma qualquer terra, ou então ter o cuidado de apenas utilizar umas leves misturas de branco. Adoro os contrastes com o branco de “prata” , difícil de encontrar no comercio. Parabéns, e aguardo pela próxima.

    Abraço

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  5. Linda essa mulher, vc pode encontrá-la no post que acabei de publicar, dedicado ao Brasil Foi feito por várias mãos. EStou te esperando.
    wwwrenatacordeiro.blogspot.com
    Um beijo,

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  6. Meu caro:
    cheguei at� aqui por indica�o da e do blog da Renata Cordeiro. Esse perfil a� est� b�l�ssimo. Costumo voltar para re-conferir e descobrir novas nuances. Voltarei a visit�-lo. Parab�ns. Abra�o fraterno do Oleari (seu vizinho do Esp�rito Santo).

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